O EVENTO

AGRO: NEGÓCIO, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a população mundial chegará a 9,3 bilhões de habitantes até 2050 e, para alimentar todo esse contingente, será preciso aumentar a produção de alimentos em 70%. O desafio global, portanto, é produzir mais sem perder de vista a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente, cada vez mais demandados pela sociedade.

Com reconhecida vocação para o setor do agronegócio, o Brasil tem características que lhe conferem vantagens competitivas com relação a outras economias. Uma delas é a tradição em pesquisa agropecuária.

Estudos liderados pela Embrapa a partir da década de 1970, por exemplo, posicionaram o país entre os líderes globais em tecnologias para a agricultura tropical. Hoje, além da Embrapa, o país dispõe de uma série de outras instituições de excelência acadêmica em tecnologia para o campo. O sólido ecossistema do agronegócio brasileiro se completa com a presença de grandes multinacionais da área química, de maquinários, sementes e fornecedores de insumos.

Se algumas tecnologias do núcleo duro da agropecuária, a exemplo de biotec, novos cultivares, transgênicos, sanidade vegetal e animal, qualidade dos solos, entre outros, são grandes responsáveis pelo atual sucesso do setor no país, outras tecnologias nascentes, vinculadas ao georreferenciamento, logística distribuída, e Internet das Coisas e suas vantagens no monitoramento remoto, simulações avançadas, etc., têm assumido um papel central na competitividade do agronegócio brasileiro. E, por outro lado, ainda representam oportunidades para startups e empreendedores do mundo todo.

Nesse sentido, soluções em Inteligência Artificial, computação em nuvem, sensores de monitoramento e rastreamento possibilitam ao produtor rural um maior controle de sua produção e, ao mesmo tempo, atendem à demanda de consumidores cada vez mais exigentes, fornecendo-lhes informações básicas sobre a origem dos produtos e ao histórico de criação de animais, por exemplo.

Esse maior controle da produção desdobra-se em redução de impactos ao meio ambiente e em eficiência na gestão de recursos. Na pulverização das lavouras, a agricultura de precisão permite a aplicação de defensivos de acordo com a infestação encontrada em cada zona de manejo, evitando os impactos do uso excessivo dos agrotóxicos e reduzindo custos. Trata-se, portanto, de um conjunto de ações que casam com a ideia da sustentabilidade do negócio agrícola.

Por outro lado, tecnologias sociais avançadas têm permitido apropriação de conhecimento e a substancial melhoria da qualidade e da oferta da agricultura familiar, levando vasta e diversa oferta de alimentos à nossa mesa. E as mudanças trazidas pelas novas tecnologias e pelos novos modelos de gestão não se limitam às grandes propriedades rurais. O acesso à tecnologia pelo pequeno produtor, pouco a pouco, torna-se realidade. Já existem aplicativos para monitoramento de fazendas e softwares de gestão com valores acessíveis. E a tendência é que apareçam mais opções, atraindo mais produtores rurais como clientes e ampliando o mercado para as startups.

Para se ter uma ideia da força do segmento, o agronegócio é responsável por 23% do PIB nacional, o que mostra que há base para mais investimentos em tecnologia e inovação no setor.

O forte crescimento da economia goiana, demonstrado pelos dados da Balança Comercial de Goiás, também é fundamental para a escolha do tema da Conferência. Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Tecnológico e Científico, Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED), por meio da Superintendência Executiva de Comércio Exterior, apontam que o estado fechou 2017 com saldo recorde, superior a US$ 3,6 bilhões.

E o agronegócio tem papel importante nesse resultado. As carnes foram o principal produto exportado do ano passado, ocupando o primeiro lugar no ranking, seguida de perto pela soja.

Diante deste cenário, evidencia-se a oportunidade de ter a 28ª Conferência Anprotec como palco para a apresentação do potencial inovador que se encontra nas incubadoras de empresas, parques tecnológicos, instituições de ensino e pesquisa e startups brasileiras, mostrando que, além de grande produtor e exportador de commodities, o Brasil tem um sólido ecossistema que lhe permite estar na vanguarda tecnológica do agronegócio e ser referência para o restante do mundo.